Responder e receber e-mails tem sido o que tenho feito. E não quero divulga-los, para proteger as conversas pessoais que ali correm. Aí há minha complicação em ter e-mails, cartas e mensagens como ação artística, ao mesmo tempo que como minha monografia: por vezes, o texto desta dissertação precisa estar escondido aos olhos do público, porque escrever para outras pessoas, sendo meu trabalho, me pede para cuidar das minhas relações com mais importância que o cuidado que dedico ao conhecimento universal, universitário.

Claro que há uma estranheza em chamar isso de trabalho de arte e trabalho universitário. Um amigo mesmo, conversando comigo, me fez notar que o que faço, dessa maneira não anunciada como prática artística, ocupa não tanto o lugar do que há de artístico no mundo, mas sim de qualquer outra coisa, e principalmente: da comunicação usual, da carta, do e-mail. Talvez eu deva assumir: me seduz essa possibilidade de algo feito com intenções artísticas ser visto como outra coisa, mais comum, e passível de ser respondida, não somente recebida, pelo mesmo canal que ela abre: dessas escritas que são enviadas por qualquer um, como as com um carteiro. Num segundo ponto, talvez eu chame como pesquisa e como arte algumas de minhas mensagens por estar aqui, mestrando e envolvido com a cena artística. Mas me envergonha a possibilidade de que pensem que situo mensagens em arte e pesquisa como forma de qualificar meus textos num patamar acima do ordinário. Sobre isso, eu gostaria de dizer que, justamente, é da busca pelo ordinário que colho os efeitos do que gosto de produzir. “E o que você produz?”. Eu respondo, mas pode soar um pouco patético esse ritornelo: eu escrevo umas cartas.