Enviada à Secretaria Especial da Cultura. Edifício Sede, Esplanada dos Ministérios, Bloco B, CEP: 70068-900, Brasília, Distrito Federal.

 

Olá.

Quero lhe falar sobre artistas que são como eu gostaria de ser: que talham o mínimo. É coisa difícil de ser pequena. Exige menos ferramentas, ainda menos matéria-prima.

Uma moça colhe a fumaça dos carros, a despoluir o mundo. Tomam algumas bolhas dos ambulantes sopradores de bolhas de sabão. Tem quem tire uma mecha de cabelo do risco iminente de ir em direção ao chiclete colado no assento do ônibus, sem que a dona dos pelos perceba. Alguns dançam em seus quartos. Há quem cante com a boca pro ralo do esgoto. E aquele senhor que desvia o curso dum rio há 27 anos?

A cultura, eu digo, tem essa classe de artistas do absurdo. Por isso aqui estou para dizer simplesmente que há. E que portanto a arte… bem, na verdade, é só pra dizer: nós, esses (pra quando eu for um desses), não recebemos repasses de verbas. Mas somos. (como ar)

Atenciosamente,