MODOS DE FAZER <modosdefazeruerj@gmail.com>               25 de setembro de 2019 18:52

Para: Jandir Jr. <mailexpressivo@gmail.com>

Assunto: Seminário modos de fazer UERJ

 

Boa Noite Jandir,

 

Recebemos a sua inscrição para o 7° Seminário de pesquisadores do PPGArtes UERJ. Precisamos para que você possa integrar nossa programação e a publicação dos anais de um texto referente a comunicação que pretende fazer contendo entre 300 a 500 palavras a nos ser enviado até dia 01/10.

 

Atenciosamente,

A Equipe organizadora

 

 

Jandir Jr. <mailexpressivo@gmail.com>                                     27 de setembro de 2019 21:00

Para: MODOS DE FAZER <modosdefazeruerj@gmail.com>

Assunto: Seminário modos de fazer UERJ

 

Uma versão revisada:

 

No dia 29 de abril de 2019, enviei um e-mail para Millena Lízia, amiga, artista, educadora, intelectual, para conversar sobre um texto que eu havia escrito. Nele, escrevi sem voltar atrás ou corrigir qualquer erro de digitação ou ideia pouco elaborada. Escrevi esse texto também num só parágrafo, imenso, que ocupava páginas e páginas. Seu tamanho também se tornou maior pelo tanto de notas de rodapé que anexei a ele: tantas que, por vezes, elas tomavam mais da página do que o próprio texto em sua escritura. Era um texto que desabafava, enfim, sobre a própria leitura e escrita; sobre o mal-estar com relação à colonialidade no nosso idioma oficial e seus usos idiomáticos tidos por corretos. Ainda que apontasse para nossas subversões linguísticas e para a própria natureza contrahegemônica do português brasileiro, não sem dores o fazia, ciente da ambivalência irresolvível dessa equação que subtrai de pessoas racializadas, isto é, das que fazem usos dissidentes da língua, sua autoestima. Mas ela, Millena, me disse uma coisa. Dentre muitas coisas, Millena me disse e ainda me diz que sabemos das gentes negras cindidas, sabemos de suas dores, dos instrumentos de suplício da escravização. Mas resta nesta constatação a curiosidade perpétua em saber como, em que pessoas negras poderiam viver em plenitude, saudáveis e felizes. E, nesse caso do meu texto, em como poderíamos escrever como uma afirmação de saúde, e não de uma doença contraída como uma dessas pestilentas que desembarcaram das caravelas junto com os colonizadores. Meu texto comunica nossa fragmentação como escritoras cindidas em sua confiança porque tenho nisso, na verdade, a vontade de procurar nossa plenitude. Foi o que pensei depois do que ela disse. E pela vontade enorme de oferecer ainda mais saúde, apesar dos cortes poucos cicatrizados em minha própria psiquê, decidi não mais distribuir o texto. Decidi não mais imprimi-lo e doa-lo em portas de universidades, como quis anteriormente. Decidi não mais fazer dele uma publicação em formato jornal, com letras de manchete enormes. O quero mostrar, lê-lo, publica-lo aqui, é verdade. Mas desde que venha acompanhado desse preâmbulo que agora e aqui escrevo. Para que não mais esse texto seja um grito de dor somente, ou uma análise cheia de dúvidas. Que suas palavras e as notas que as acompanham sejam guias, para mim e para nós. Mas que nos guiem, enfim, à nossa própria saúde. Que empunhemos canetas, lápis e teclados para nos vermos como tais, e não como menos do que verdadeiramente somos.