[+5521987250387: 24.8.2019, 16:31] “Q”

[+5521985271669: 26.8.2019, 18:26] Oi. Eu nem te conheço, mas queria dizer isso pra alguém que eu não conhecesse mesmo. Tava pensando agora há pouco em quantas pessoas do meu convívio íntimo e cotidiano não ingressaram no ensino superior. Caraca, e eu acho que praticamente não há ninguém. Só minha família, as famílias dos meus amigos de infância, a da minha companheira. De resto, só tenho amizades e relações com pessoas que, no mínimo, ingressaram no ensino superior.

[+5521987250387: 26.8.2019, 18:29] “Me conhece sim. Kkkkk”

[+5521985271669: 26.8.2019, 18:29] Quem é??  Ahhhh! Hahah

[+5521987250387: 26.8.2019, 18:30] “Sou eu, antonio. Kkkkkk esse eh o numero do meu outro chip.”

[+5521985271669: 26.8.2019, 18:30] Quer dizer, e olha que eu nem nasci em berço de ouro. Minha família é pobre, e com quem mantenho contato desde longa data, das pessoas mais importantes, foram todas pobres também. Mas aí fomos indo juntas pra faculdade, perdendo contato com quem não foi ingressando… Doido. Só me dei conta disso agora kkk

[+5521985271669: 26.8.2019, 18:30] Ahhhh! Caralho! Um número secreto hahahah

[+5521985271669: 26.8.2019, 18:31] Enfim, agora sei quem me mandou uma mensagem “Q”: p

[+5521987250387: 26.8.2019, 18:33] “Kkkk”

[+5521985271669: 26.8.2019, 18:35] Mas esse bagulho das nossas redes de afetos é estranho. Tava agora na aula e pensando, como se tivesse acordado “quem são essas pessoas? Caralho, que que eu tô fazendo aqui nesse papo”. Era um papo interesante até. Mas me fez pensar nisso

 

Horas após essa troca de mensagens por SMS, liguei de novo meu celular, digitei aleatoriamente o número 21976854335 e reescrevi parte dessas mensagens enviadas para Antonio.

Oi. Eu nem te conheço, mas queria dizer isso pra alguém que eu não conhecesse mesmo. Tava pensando agora há pouco em quantas pessoas do meu convívio íntimo e cotidiano não ingressaram no ensino superior., e eu acho que praticamente não há ninguém. Só minha família, as famílias dos meus amigos de infância, a da minha companheira. De resto, só tenho amizades e relações com pessoas que, no mínimo, ingressaram no ensino superior. Quer dizer… e olha que eu nem nasci em berço de ouro. Minha família é pobre. E com quem mantenho contato desde longa data, das pessoas mais importantes p mim, foram todas pobres também. Mas aí fomos indo juntas pra faculdade, perdendo contato com quem não foi ingressando… Doido. Só me dei conta disso agora. Como pode? sinto que me alienei muito do contato com algo da vida, mesmo eu estando agora no mestrado. A porcentagem é tão pouca de pessoas com ensino superior, mesmo incompleto. E tantas que nunca vão querer ou poder passar por isso… Como eu posso passar tanto tempo da minha vida conversando como num curral, com poucas pessoas, sempre um pouco parecidas comigo no que diz respeito a formação? É um incômodo. Enfim, talvez seja bobeira tb. Mas fico feliz de poder jogar essas palavras para alguém que eu não conheça. Boa noite, é um prazer, 🙂 Meu nome é Jandir.