Apesar do meu franco interesse em manter minhas práticas artísticas distantes de qualquer institucionalização ou cena constituída, chego ao final deste ano com um trabalho que concebi com Antonio tendo alguma entrada nestes meios. E, sendo este trabalho um ocupante necessário dos cenários institucionais para que exista, desejo repensar um pouco o que disse até aqui. Este é o segundo ano em que almejo mas não consigo distância da cena da arte contemporânea. Dessa vez, porque me permiti estar nela quando num trabalho coletivo – como esse com o Antonio -. Nada me arrependo disso; acredito que ocupo estes espaços com muito mais conforto agora que no início do ano, quando realizava exposições. Agora estou ali como crítica institucional e como educador do MAR, o que concebo como crítica racial, crítica de classe, vontade de estar com e para os públicos que são contemplados com essa dimensão crítica, tudo que sempre me importou. Continuo fazendo coisas, o que significa que finalmente estou construindo circuitos alternativos de visibilidade e atuação; nisso, até riscar o corpo de alguém, ou fazer um trabalhinho que seja só pra um, que não seja pra você, é foda.

Espero tão em breve poder dizer que faço alguma coisa para que outras pessoas se sintam felizes nessa condição de exílio dos meios de fomento público, contudo. A cada dia que passa, essa vontade queima dentro de mim. E gostaria que a Amador e Jr. Segurança Patrimonial LTDA. e qualquer outro trabalho que vá fazer com outras pessoas reverberassem isso, que dessem o decisivo salto de ser a da pedra no sapato da instituição a ser um meio de ensaiar novos sonhos, sonhos mais absurdos por darem vislumbre a artistas com fome duma independência que nada tem a ver com dinheiro nas mãos. Cooperativas de frágeis: sem profissionais, só entidades reunidas.